Uma Mulher que Amou os Frágeis Guerreiros

Eu amo todos os homens. Depois de uma vida inteira de ódio.
O ódio já começou quando eu ainda estava dentro do útero de minha mãe.
O orgulho e privilégio do meu pai estava ligado a ter um filho homem.
E minha mãe já tendo duas filhinhas, rezava pedindo a Deus que eu nascesse um menino.
E eu ouvindo suas preces me sentindo rejeitada por ser menina, mesmo antes de nascer.
E enquanto eu ia crescendo, o ódio também crescia.
Os meninos, podiam subir em árvores e serem SuperMan.
E eu tinha que me cuidar, para que minha calcinha não aparecesse.
Eu odiava-os!
Na adolescência, eu tinha que ser virgem!
Os meninos podiam "comer" as galinhas!
Eu os odiava! 

E como se não bastasse o ódio.
Tinha a guerra dos sexos.
Meninos contra meninas. Quem ganhará ?
Eles eram livres! Eu cativa!
Eu tinha que me render ao poder deles. Fingindo sentir prazer.
Fingir orgasmo para os poderosos.
Os odiei...
A palavra de um homem, valia mais do que meu choro, meus gritos e minha verdade.
Os homens eram os galos e mandavam no terreiro.
Os galinhas, os mentirosos, todos iguais. 
Os odiei sorrindo!
Os odiei abrindo as pernas!
Os odiei, dizendo sim!
Hoje os amo!
Dizendo não!
Homens solitários, sem o amor.
Pois as mulheres nunca os amaram seus carrascos.
As beatas irão odiá-los, confessando os seus pecados aos padres, até a morte chegar.
O meu primeiro companheiro me dizia que nós não éramos um casal normal, porque casais normais brigam. E para nos tornarmos um casal normal, teríamos que começar a brigar.
E como ele, eu também cresci com crenças que fazem a paz e a ternura entre casais serem absurdas. E a guerra, a desconfiança, a traição normais.
Homem e Mulher um complemento, a dualidade que permeia o Universo.
O dia e a noite, o barulho e o silêncio, a razão e a emoção, o yin e o yang.
Nos complementando e juntos construindo a felicidade.

Hoje caminhando na feira livre, ouvi um feirante gritando:
- "Vamos gastar o dinheiro do homem esse (...)"
Eu parei na banca e falei ao feirante:
- " O meu não.". Deixando o feirante surpreso. Porque aquele era a propaganda dele, para vender mais. Com certeza devia funcionar.
Eu ainda tenho crenças populares herdadas de minha tribo Universal.
Mas sinceramente acredito nos homens que conheço e os que conhecerei serão maravilhosos e divinos.
No último congresso da Central Única dos Trabalhadores, pela primeira vez  um homem comprou duas bonecas para os filhos dele brincarem. Não os bonecos que normalmente os pais compram para os filhos: bonecos jogadores de futebol, soldados e guerreiros. Mas simplesmente bonecas.

Eu disse a ele:
- " Diga a sua mulher,  que eu a parabenizo pelo companheiro que ela tem."
Além de mudar hoje em dia:
Eu aceito um homem feliz, que brinca e dá risadas.
Eu mereço um homem generoso que me dê flores.
Eu aceito um homem atencioso para me ouvir.

Eu mereço um homem cuidadoso que me paparique.
Eu aceito um homem que realize os meus desejos.
Eu mereço um homem compreensivo que me entenda.
Eu aceito um homem que me adore e me coloque no pedestal.

Eu mereço um um homem carinhoso que me abrace e me  faça massagem.
Eu aceito um homem que me diga que sou especial.
Eu mereço um homem sensual que me beije sensualmente.
Eu aceito homem cozinheiro que cozinhe para mim.
Eu mereço um homem que me diga que sou sua menina.

Eu aceito um homem que abra a porta do carro para mim.
Eu mereço um homem que queira dar a volta ao mundo comigo.
Eu aceito um homem que tire mil fotos de mim.
Eu mereço um homem amigável, que seja meu amigo.
Eu aceito um homem que me dê tudo.
Eu mereço um homem quente que me aqueça no inverno.
Eu aceito um homem para ser minha alma gêmea.
Eu mereço um homem sex e fiel.
Um rei  para fazer um bebe. Hoje eu amo os homens.
Todos os dias, eu descubro novas razões para amar, aceitar e merecer um homem.
Homens eu os Amo.
No meu túmulo quero escrito:
" Uma Mulher que Amou os Homens!"




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